Diário de trabalho - Sábado frio
Sábado frio, em Barra Mansa, havia mais de duas dúzias de adolescentes no Criaad. Fui informado, por ocasião da passagem de plantão, que mais dois jovens tinham sofrido regressão de medida socioeducativa. Estávamos vivenciando uma crise na administração do convívio. Os garotos não conseguiam ver perspectiva e finalidade na execução da medida a que estavam submetidos. Passavam o dia se distraindo com ping-pong, TV (canal aberto), artesanato com dobradura de papel, tal qual aprenderam na unidade fechada. Os socioeducadores sofriam do mesmo desânimo. A passividade do trabalho, sem qualquer estímulo a proposições fazia com que o servidor não sentisse que a sua tarefa possuía algum sentido. Ficava claro, que a iniciativa era uma dificuldade. Representava praticamente um animal em extinção. Donde vinha tanta hesitação? Por que era tão difícil violar a rotina e a previsibilidade dos hábitos vigentes? Será que existia medo do tal voluntarismo? Seria a essa forma de iniciar um processo ...