Maduro

Maduro
Letra trêmula
Fome de vícios
Cansado de nada
Mesmo não estando inspirado
Me forço ao papel
Que nunca se furtou de me ouvir
Mesmo diante do abismo
Escuto minha mente produzir
Ouço o bater de martelos
Pasmo por não descobrir
O que ela faz neste inverno
Sonho as imagens mais tolas
Temores tão vãos quanto possíveis
Espero a graça me voltar
A apelar minha pele da lembrança
Solto no espaço
Preso ao cosmos
Sei muito e volto dos espasmos
De uma vida induzida os trazem
Minha vida assim o está
Nem perco nem redescubro
Os pensamentos que me povoam
O espírito impregnado
De paz e apego constantes
Dela, minha vida,
Sou mero espectador
Da história tudo que faço
Carrego comigo meus sonhos
E vejo o fraquejar das pernas
No horizonte da morte.
..........................Guto Moura

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