Diário de Trabalho - Desânimo
De manhã, cheguei ao estabelecimento de semiliberdade. Já havia fumado um cigarro e vim escutando Adriana Calcanhoto no carro. Já era oito horas.
Tomei café e conversei com os colegas sobre a necessidade de existir uma lista com espaço para o registro de fatos observados ao lado de cada nome dos adolescentes.
Tive a impressão de que a sugestão não seria bem vinda. Mais tarde constatei que não passara de impressão.
Acordei os vinte e nove jovens que dormiam em quartos fechados por grades. Descrevi para eles as atividades matutinas, a começar pelo café. Percebi que um deles estava arredio e com vontade de expressar seu ressentimento com os educadores.
Procurei escutá-los e propus que as atividades precisavam ser feitas e faziam parte da medida cuidar do próprio ambiente. Obtive um bom resultado.
Franqueei a quadra e propus um campeonato de futebol. Para incentivar ofereci como premiação cones de chocolate, feitos em casa por minha companheira, que levo para vender entre os colegas de trabalho.
Notei que, mesmo com o incentivo, não havia interesse em realizar atividade esportiva naquela manhã. Fiquei sozinho na quadra tentando entender o desânimo da turma. Ficou latente o desânimo e o descrédito com relação à medida e à instituição.
Conversei com um deles e ficou claro que seria necessário providenciar outra bola, afinal, a que havia disponível estava murcha. A quadra de esportes por fazer também era um fator de desestímulo.
Pensei, então, que a vida do educador, como homem ou como mulher de ação, como uma tarefa eminentemente propositiva, diante de um ambiente burocrático é frustrante e adoecedora.
O potencial criativo se vê obstacularizado pela heterogestão.
A idéia e a iniciativa ficam amarradas nas teias dos mandatários, procuradores do poder constituído em uma república representativa, distante, por uma escada de autorizadores e negadores sobrepostos.
A tarefa de propor iniciativas fracassa por falta de liberdade para dar início a atividades propostas.
Se àquele a quem transmitir a liberdade criativa é negada a liberdade criativa, nulo será o crédito à sua proposta e como resultado virá o desânimo.
Mente o educador quando diz ao educando que depende dele o desenvolvimento de sua tarefa social, sendo que sua própria tarefa social não depende de sua iniciativa, mas de um sim ou um não burocrático.
A liberdade indireta não é liberdade, mas prisão, opressão, proibição, obstáculo.
A colaboração e a cooperação ficam comprometidas, na medida em que a postura passiva é a estimulada, é a postura comum de senso.
Posicionar-se com uma conduta expectadora é a prática vigente e toda forma de resistência é tida como inconveniente em uma heterogestão.
A força e a energia empregadas para resistir ao bloqueio autorizativo heterogestor consomem o homem e a mulher que abraçam o sonho de educar.
O desgaste físico é maximizado pelo desgaste emocional, posto que a frustração é um sentimento que atinge o íntimo e a estima do ser humano.
Tomei café e conversei com os colegas sobre a necessidade de existir uma lista com espaço para o registro de fatos observados ao lado de cada nome dos adolescentes.
Tive a impressão de que a sugestão não seria bem vinda. Mais tarde constatei que não passara de impressão.
Acordei os vinte e nove jovens que dormiam em quartos fechados por grades. Descrevi para eles as atividades matutinas, a começar pelo café. Percebi que um deles estava arredio e com vontade de expressar seu ressentimento com os educadores.
Procurei escutá-los e propus que as atividades precisavam ser feitas e faziam parte da medida cuidar do próprio ambiente. Obtive um bom resultado.
Franqueei a quadra e propus um campeonato de futebol. Para incentivar ofereci como premiação cones de chocolate, feitos em casa por minha companheira, que levo para vender entre os colegas de trabalho.
Notei que, mesmo com o incentivo, não havia interesse em realizar atividade esportiva naquela manhã. Fiquei sozinho na quadra tentando entender o desânimo da turma. Ficou latente o desânimo e o descrédito com relação à medida e à instituição.
Conversei com um deles e ficou claro que seria necessário providenciar outra bola, afinal, a que havia disponível estava murcha. A quadra de esportes por fazer também era um fator de desestímulo.
Pensei, então, que a vida do educador, como homem ou como mulher de ação, como uma tarefa eminentemente propositiva, diante de um ambiente burocrático é frustrante e adoecedora.
O potencial criativo se vê obstacularizado pela heterogestão.
A idéia e a iniciativa ficam amarradas nas teias dos mandatários, procuradores do poder constituído em uma república representativa, distante, por uma escada de autorizadores e negadores sobrepostos.
A tarefa de propor iniciativas fracassa por falta de liberdade para dar início a atividades propostas.
Se àquele a quem transmitir a liberdade criativa é negada a liberdade criativa, nulo será o crédito à sua proposta e como resultado virá o desânimo.
Mente o educador quando diz ao educando que depende dele o desenvolvimento de sua tarefa social, sendo que sua própria tarefa social não depende de sua iniciativa, mas de um sim ou um não burocrático.
A liberdade indireta não é liberdade, mas prisão, opressão, proibição, obstáculo.
A colaboração e a cooperação ficam comprometidas, na medida em que a postura passiva é a estimulada, é a postura comum de senso.
Posicionar-se com uma conduta expectadora é a prática vigente e toda forma de resistência é tida como inconveniente em uma heterogestão.
A força e a energia empregadas para resistir ao bloqueio autorizativo heterogestor consomem o homem e a mulher que abraçam o sonho de educar.
O desgaste físico é maximizado pelo desgaste emocional, posto que a frustração é um sentimento que atinge o íntimo e a estima do ser humano.
Que legal ler o relato de alguém comprometido com a socioeducacao e de forma que realça a nobre missão que vai alem da rotina de abrir e fechar trancas. Parabéns Augusto. Que tal escrever na recém aberta chamada de artigos sobre saude na MSE?
ResponderExcluirVeja no site da esgse.a
Desculpe a demora em responder, amigo(a). Aqui não aparece quem escreveu, porém agradeço a contribuição. Gostaria de escrever sobre saúde na MSE sim.
ExcluirCamarada lendo seu relato me transporto ha 20 anos quando trabalha por ai e observo que em 20 anos nada mudou !!!!!
ResponderExcluirForça amigo. Não desista !!!!!
Agradeço por ter lido meu blog, camarada. Pena que não consigo identificar os autores. Não vi esses comentários porque nunca pensei que seriam lidos.
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